
Foto: Inês Mota
Uma menina. Uma manhã de domingo.
Na casa do Padrinho Amor, onde tudo é livre e permitido, derrama os esmaltes de Rita, mexe o enorme tacho de sabão de potassa, solta as cabras do curral, cata os ovos da galinha e quebra as panelas do Tio Chico.
Embrenha-se nos mufumbos encantada com as cores dos pavões, apanha as frutas verdes e oleosas da oiticica e faz músicas com os chocalhinhos do gergelim.
Espanta os porcos com uma vara de marmeleiro, colhe os trapiás e os melões-caetanos que pendem como brincos de ouro das latadas na cerca entre os pereiros.
Trepa-se no pilão da cozinha para ver os ovos no ninho de rouxinóis. Penteia os cabelos de Júlia, a boneca de pano, dá banho no gato amarelo do Janúncio e come tripa de carneiro assada na brasa.
Embriaga-se fumando o cachimbo da tia Maria e cheira o barro molhado da parede para curar-se. Embriagada, adormece na grama macia às margens do riacho do Vô Joca.
E sonha. Aos sete anos, ainda sonha.
Desperta e já é adulta.












4 comentários:
Marcando presença...porque gosto de estar por aqui!!!
Oi Inês.
Que cheirinho bom de infância.
Que 2010 esteja sendo um ano maravilhoso para você é o meu desejo.
Beijo.
Muito bom!
Que final fantástico...parabéns.
Qué bom sería ter uma ceremonia pra mudar á adultos!
Abraço
Postar um comentário