quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tampopo - A arte de fazer (e comer) espaguete


A mistura perfeita de sabor e de vida (ou morte) abordada nos filmes que têm a comida como ponto central da trama, fascina muita gente. Inclusive a mim, que sou uma apaixonada pela Sétima Arte, embora um pouco menos entusiasta no ofício de transformar alimentos em magia.
A lista de produções em que a gastronomia tem papel de destaque, é longa e interminável.

Nessa categoria, os meus preferidos são: "Tomates verdes fritos", "Como água para chocolate", "Delicatessen", "Ratatouille, "A Festa de Babette", "Vatel", " A Fantástica Fábrica de Chocolate", "Bagdá Café, "O cheiro de papaia verde", "O Cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante", "A comilança", "A mulher do padeiro", "Chocolate", entre outros.
Com o intuito de rever algumas dessas obras, convidei meu parceiro Thiago para me acompanhar na empreitada cine-gastronômica desta quarta-feira e assistimos "Tampopo, os Brutos também comem espaguete".
Tampopo é uma produção japonesa de 1985, dirigida por Juzo Itami. É uma comédia que prenuncia os efeitos da globalização na cultura japonesa, mais especificamente na culinária.
Com o intuito de satirizar os filmes de cowboy, o produtor focaliza a trama numa história central, enquanto desenvolve uma série de outras pequenas narrativas paralelas, histórias deliciosas que entrecortam a trama principal e mostram a importância da comida na cultura e sociedade nesse país.
O filme conta a história da dona de um restaurante, Tampopo (Nobuko Miyamoto) que vê seus clientes insatisfeitos com seus pratos. Assim, junto com o entregador de leite, Goro (Tsutomu Yamazaki) e mais alguns amigos, se lança na busca da melhor receita da sopa de macarrão - aquele macarrão japonês, que vem com caldo e acompanhamentos e é parecido com o miojo instantâneo que comemos aqui no Brasil, mas com carnes, algas, legumes -, cartão de visitas do seu restaurante.
O casal protagonista se vê envolvido nas mais divertidas situações, rodeada de cozinheiros tradicionais, bisbilhotando nos restaurantes, testando métodos e ingredientes, pesquisando, investigando e descobrindo segredos até conquistar a fórmula perfeita para converter o trabalho e o esrforço de Tampopo em sucesso.


Em meio a isso tudo, rolam histórias de amizade, camaradagem, brigas bizarras, sensualidade, sexo, amor e uma miríade de cozinhas e cozinheiros.
Destaco cenas interessantes, como a do "mestre" que passa o segredo de se apreciar um bom espaguete, utilizando outros sentidos, além do paladar, como a visão, o tato e a audição, e dos mendigos-gourmet, que sabem mais de vinho e iguarias do que os melhores experts. A cena mais hilária, entretanto, fica por conta de uma professora japonesa e suas alunas, numa aula de como comer espaguete com elegância.


Ao evidenciar a alimentação no cinema, o autor acaba chamando a atenção do espectador através do sentido da visão, e o induz a "sentir" o gosto da comida, antes mesmo que ela chegue à boca, ou seja, ensina as técnicas de "comer com os olhos".
E é Claro que depois disso tudo, me bateu uma fome terrível e, ainda que fosse tarde e contrariasse meus hábitos alimentares, não resisti e ataquei a geladeira, fazendo uma "boquinha" antes de dormir.




Fonte: Pérolasdadegustação.blogspot.




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4 comentários:

sofrendo.do.cérebro disse...

"E ainda que fosse tarde e contrariasse meus hábitos alimentares..." hahahahaha Essa Inês... sei não... Fiquei curiosa pelo filme! Beijo!

Dilberto L. Rosa disse...

Tampopo... Que lembrança mais legal essa... Uma pena os filmes sobre comida nem sempre serem tão gostosos... Alguns citados por você me causaram uma baita indigestão! Mas a temática de seu 'post' foi mesmo deliciosa, sem trocadilhos! Cinema em pauta também nos Morcegos, não perca, ainda é a maior diversão (Cinema e Morcegos!)! Abração!

wallace disse...

Concordo com o que o Dilberto escreve... Esse eu ainda não tinha ouvido falar, mas gostei muito do "Festa de Babette". inspirador... bjs!

Ines Motta disse...

É verdade, Dilberto e Wallace. Concordo que alguns desses filmes tratam de temas repulsivos, repugnantes, como o canibalismo. Entretanto, com tanta arte e maestria, que não lhes tira o brilho.
Abraços.