domingo, 25 de julho de 2010

Ontem

Imagem da Net

Os pés descalços no leito seco do  rio Piranhas. As mãos miúdas cavam em busca da granulação mais fina da areia que irá polir as panelas da mãe. 


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Detalhe

Imagem da Net

Pela fresta do assento do ônibus vislumbram-se costuras de traços trôpegos e cores distintas na etiqueta que o homenzinho insite em manter na velha calça jeans.


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sábado, 19 de junho de 2010

Deserto - Victor Barone

(Foto: Erick Reis)


Deserto
em minha boca
seca a palavra
cala o poema.

Meada
rompida em minha mente
se desfaz em fiapos.

Deserto
em minha alma
seca o poema
cala a palavra.

De certo
a palavra seca
germinará
calma.


'Deserto' está no livro "Outros Sentidos"- Victor Barone (07/2008)

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Síndrome

Imagem: Leonid Afremov



Eu tenho dois filhos.
Eu sinto tanta saudade dos meus filhos.
Sempre senti saudade deles. Desde que nasceram.
Senti saudade quando eram pequeninos e os deixei para trabalhar.
Senti saudade quando eles passavam mais tempo na escola do que em casa.
Quando eles deixaram de ser filhos para se tornar adolescentes que não querem ter mãe, eu tive uma imensa saudade deles.
Quando eles voltaram a ser filhos senti ainda mais saudade. Tornam-se tão independentes e distantes.
Eu tenho dois filhos. E uma saudade muito grande.
Sinto enorme saudade de minha filha. Ela está perto demais. A proximidade impede de nos enxergarmos.
E sinto muita saudade do meu filho. Está tão longe que também não posso vê-lo.
Eu sempre vou sentir saudades dos meus filhos.
Eu tenho dois filhos.
E um ninho meio vazio.




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domingo, 13 de dezembro de 2009

Revelação



Imagem: desconheço autoria

Meu nome é Oscar. Eu sempre fui um gato arredio e irreverente. Não capitulo ante as necessidades doentias do amor.
Quando Dona Nonó chega ao galpão abandonado com a comida e a água todos correm até ela fazendo festa em alvoroço. Eu permaneço deitado e só saio para comer e beber quando os companheiros saciados se retiram.
Foi assim durante 27 anos de minha vida.
Certa manhã Dona Nonó não apareceu. Os outros gatos sairam para caçar ratos. Eu não gosto de caçar.  
Por fim, Seu Jaime, o viúvo, apareceu para continuar o trabalho de Dona Nonó.
Nesse dia, ele me chamou de homem. Desde então eu parei de miar e não preciso mais comer ração. Tampouco rato. Também não sou mais alvo de censura por meu retraimento.
Ainda sou Oscar. Agora, um bicho submisso, obediente, reverente cheio de amor e medo.
Ajudo o Seu Jaime na tarefa de alimentar os gatos e descobrir homens em meio a bichos abandonados.

Inês Mota
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sábado, 21 de novembro de 2009

O Sentido da vida -O milagre do nascimento (Monty Python)

Para ver naqueles dias em que se questiona o sentido da vida. E vale a pena questionar isso?
Melhor é dar umas boas risadas.

O Milagre da Vida - Monty Python





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domingo, 25 de outubro de 2009

El otro yo - Mario Benedetti

(Imagem:desconheço autoria)

Se trataba de un muchacho corriente: en los pantalones se le formaban rodilleras, leía historietas, hacía ruido cuando comía, se metía los dedos a la nariz, roncaba en la siesta, se llamaba Armando. Corriente en todo menos en una cosa: tenía Otro Yo. El Otro Yo usaba cierta poesía en la mirada, se enamoraba de las actrices, mentía cautelosamente, se emocionaba en los atardeceres. Al muchacho le preocupaba mucho su Otro Yo y le hacía sentirse incómodo frente a sus amigos. Por otra parte el Otro Yo era melancólico, y debido a ello, Armando no podía ser tan vulgar como era su deseo.
Una tarde Armando llegó cansado del trabajo, se quitó los zapatos, movió lentamente los dedos de los pies y encendió la radio. En la radio estaba Mozart, pero el muchacho se durmió. Cuando despertó el Otro Yo lloraba con desconsuelo. En el primer momento, el muchacho no supo que hacer, pero después se rehízo e insultó concienzudamente al Otro Yo. Este no dijo nada, pero a la mañana siguiente se había suicidado.
Al principio la muerte del Otro Yo fue un rudo golpe para el pobre Armando, pero enseguida pensó que ahora sí podría ser enteramente vulgar. Ese pensamiento le reconfortó.
Sólo llevaba cinco días de luto cuando salió la calle con el propósito de lucir su nueva y completa vulgaridad. Desde lejos vio que se acercaban sus amigos. Eso le llenó de felicidad e inmediatamente estalló en risotadas. Sin embargo, cuando pasaron junto a él, ellos no notaron su presencia. Para peor de males, el muchacho alcanzó a escuchar que comentaban: «Pobre Armando, y pensar que parecía tan fuerte y saludable».
El muchacho no tuvo más remedio que dejar de reír y, al mismo tiempo, sintió a la altura del esternón un ahogo que se parecía bastante a la nostalgia. Pero no pudo sentir auténtica melancolía, porque toda la melancolía se la había llevado el Otro Yo.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Eu quero meu donnut!


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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sem inspiração


Fui ali e volto já. Por favor não levem minha bicicleta.



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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Monologion Retro - Virgilio Brandão


(Imagem: Albert Watson)
Tenho fome do futuro,
ou será vontade de comer a planura?
Oh, dá-me, dá-me bruma à mesa,
areia cevada de rosas, tinto de oiro…
e salve a puta, salve a puta-alma das sevícias dos anjos!
— e, quando tudo for são e puro como eles
não te esqueças de embrutecer-me.

— Madre! — grita o pobre que não pode ser doutor.
— Ai que doce! — geme o rico brincando de ti.

Esqueci-me de alguma coisa, Deus?




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