quarta-feira, 1 de abril de 2020

Outros Crimes Exemplares - O Símio



Comia bananas como um símio esfomeado.
Começava fazendo cinturas na fruta com mordidinhas de baixo pra cima  e de cima para baixo.
Depois, fazia pequenas pausas e fitava-me franzindo o cenho e mostrando os dentes amarelos e carcomidos.
Enquanto roía a casca, soltava sons guturais como estertores de um moribundo.
Não satisfeito, sorria como se zombasse da minha extrema capacidade de tolerância.
Que ser humano pode suportar tamanho despautério?
O trabalho, confesso, foi cansativo porque a penca era muito grande. Porém, foram as últimas bananas da terra que ele saboreou.

Inês Mota


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domingo, 22 de março de 2020

Outros Crimes Exemplares - Cada um tem a Pasárgada que merece.



Estou pensando em ir emboraquero voltar para o meu torrão.
Dia e noite era essa cantilena, queixando-se que sentia saudades da sua terra, uma pequena cidade praieira nos cafundós do Ceará.
Amiúde, tinha uns banzos medonhos relembrando dos amigos, das aventuras, dos banhos de rio e de mar e das pescarias, dos sons da cidade.
Sentia saudades de andar de bicicleta, dos dias ensolarados, das serestas em lua cheia.
De montar um burro brabo, da festa do Bom Jesus dos Navegantes, da comida caseira e das histórias que a sua mãe contava. 
Era um homem jovem e saudável  e teria vivido muito não fosse a estupidez de incluir no rol dos saudosismos, a primeira namorada e as memoráveis farras com as meretrizes da cidade. 
O vinho, que preparei potencializou o efeito do veneno e tudo não rendeu 5 minutos.
Agora, ele escuta o som do silêncio e os carpidos de sua mãe, Dona Bia de Cazuzinha.
Justa que sou, permiti que fosse enterrado onde queria estar vivo.
Cada um tem a pasárgada que merece.


Inês Mota


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quarta-feira, 11 de março de 2020

Morreu como um passarinho

Imagem: Desconheço autoria

Reconheço que fui negligente.
Porém, sempre pus à sua disposição os alimentos mais saudáveis.
Oferecia pedaços suculentos de manga, fatias de banana e melancia, de abacaxi, cubinhos de melão e mamão e saborosas uvas.
Tentei seduzi-lo com mingau de aveia, pão integral de 12 grãos, granola light com canela e mel, tofu e farelos de soja. Ele rechaçava tudo com o maior desprezo.
Então o deixei à vontade.
Assim, irrompia como uma flecha pela minha janela e só tinha olhos mesmo para o gorduroso queijo de manteiga, a pamonha quentinha, o pudim de leite condensado e o arroz refogado que audaciosamente beliscava enquanto ainda estava cozinhando.
Não dispensava a macarronada, a pizza e tampouco o guaraná, tudo furtado com a maior destreza.
Confesso que detestava quando ele comia o bolo de chocolate deixando a mesa repleta de farelos negros. Mas gostava dele.
Morreu como um passarinho obeso.
Quem mandou ser um pardal moderno?



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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Fissuras


(Imagem: Salvador Dalí)

A cidade era de pouca chuva, mas quando isso acontecia vinham as trovoados, os relâmpagos e os raios.
Eram muitos raios que teciam teias de aranhas douradas no céu escuro.

Os raios caíam mais de uma vez no mesmo lugar: sobre minha casa e minha cabeça.
Foram tantas as ocorrências que, certa vez, olhando-me no espelho, percebi que a minha alma apresentava discretas fissuras.
Com o passar dos anos, as fissuras evoluíram e aos poucos se transformaram em fendas profundas. Profundas. Cada vez mais profundas.
Ocorreu-me não dar importância ao episódio e por muitos anos recusei-me a conferir o estado da minha alma.

Numa noite de São João em que fui atingida por inúmeros desses raios, não pude mais ignorar o meu destino.
Diante do espelho, ainda pude ver os cacos da minha alma no exato instante em que desmoronava num grito lancinante e repousava inerte sobre o assoalho. 
Sem saber como recompô-la, desde então eu sou apenas um corpo onde os sonhos não perduram.
Que não envelhece e não mais sente dor.

Inês Mota

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Lamento ou sobre a loucura que não consegui organizar ou como não escrever um poema ou...ou...ou...ou

imagem:Jean-Michel Basquiat


Achei por aí uns versos meus que não ousei escrever.
O poema repousava agora em soberbo coxim com o epíteto: exercício poético.

Ele não me viu.

Mãe desnaturada sou eu. 
Não o pari, tampouco o adotei. 
Nem quis saber quem o engendrou e o firmou.

Da minha coletânea tão vasta - tenuíssima poeira dispersa - raros verbos se saturam e se precipitam.
Depois, sucumbem ante meu lápis e maculam meu papel de pão.

Mas só quando chove ou faz lua cheia.

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sábado, 8 de fevereiro de 2020

Abdução

Imagem: Papel de parede Magnathorax - O Segredo do Triângulo das Bermudas

Quando Joãozinho galgou o pé de feijão transgênico deparou-se com Gigante, o anão, conversando com Ave, a centopeia de trilhões de pares de pernas. Os dois brincavam em torno de uma casa decorada com deliciosas iguarias que iam saboreando enquanto conversavam.

Ave exibia uma meia diferente em cada pé e se divertia com um chocalho repleto de objeto coloridos, enquanto Gigante enchia de bugigangas a enorme carroceria do seu caminhão.

Foi assim que Joãozinho entendeu o intrigante mistério das coisas que sumiam misteriosamente de sua casa: além das guloseimas, como potes de Nutella, sorvete de flocos, chocolates, castanhas, brigadeiros, trufas e fatias bolo de aniversário, encontrara tigelas sem tampa, tampas de tigelas, tarraxas de brincos e brincos solitários. Dezenas de agulhas de coser, carretéis de linha, rabicós, tampas de canetas e canetas sem tampas. Havia pilhas de papeizinhos com números de telefones importantes, além de pentes e escovas, grosas e mais grosas de grampos de cabelo, inúmeros pés de meias descasados e grande quantidade de carregadores de celular.

Urgia voltar pra casa e cerrar portas e janelas. 

Em poucos minutos um curioso quadrante se abriria novamente e mais uma leva de coisas iria para o espaço.

Inês Mota

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O sertão virou mar... um mar de verde!!

Ontem, visitei o Seridó.
Fui a Caicó. Uma visita rápida. Observei uma mudança na região, a partir de Currais Novos, em relação à paisagem de pouco mais de 20 dias atrás, a última vez em que estive lá.

Parecia um milagre: A caatinga cinzenta, se transformara num verde exuberante, onde os arbustos e árvores, agora emergem de um tapete igualmente verde, que recobre todo o marrom avermelhado do solo, a cor predominante por muitos meses do ano.

De fato, na caatinga, a mata branca (que é um bioma único no mundo e exclusivamente brasileiro), as plantas xerófilas possuem mecanismo que permitem que se adaptam bem ao semi-árido: suas raízes são profundas, o que facilita a busca de umidade; são recobertas por uma camada de cera que retém líquidos e as folhas pequenas, são finas e por vezes reduzem-se a espinhos. 

Durante o período de seca, a maior parte dessa vegetação, com espécie de plantas caducifólias, perde a folhagem, evitando assim um nível maior de perda de água pelo mecanismo da respiração.
Há ainda as cactáceas, de folhas atrofiadas e caules grossos que resistem à seca armazenando grande quantidade de água em sua estrutura peculiar.

Assim, basta que caiam umas poucas chuvas na região, para que tudo se transforme rapidamente e o que era seco e aparentemente sem vida, volta a ser verdejante. Novamente, brotam as folhas nos galhos ressequidos e o Sertão ganha nova pintura.

À tardinha, com um tempo mais ameno, viajo de volta a Natal. Da janela do ônibus, os meus olhos, agora desacostumados às imagens, (há um ano, tão comuns e normais), passam a perceber detalhes. Vejo a paisagem próxima ao açude Itans, ora com um nível de água bastante reduzido, devido a baixa precipitação pluviométrica nos últimos anos e pela intensa evaporação.

Em alguns trechos, pode-se ver as pedras do leito. Nos locais mais rasos, a água forma vários braços de nesgas alongadas que parecem se agarrar a terra, num gesto desesperado para impedir a intensa evaporação e infiltração.

Aos poucos, esses pedaços de água vão sumindo e só a caatinga é alvo de minha observação.
Em alguns pontos há uma enorme devastação da cobertura vegetal. E os espaçamentos são muito grandes entre um arbusto e outro. Ainda há a pratica de derrubada da vegetação com fins de obter-se o carvão vegetal e para alimentar as olarias.
Até quando?
Mas logo abandono esse pensamento quando começam a passar velozmente diante de mim, as cercas de pedra.
São construções feitas com pedras simetricamente arranjadas. Provavelmente, algumas, construídas por mão de obra advinda das Frentes de Emergência, quando das grandes estiagens. 
Verdadeiras obras- de-arte. Quilômetros e quilômetros delas, que me levam a questionar, que mãos as construíram, o que será que resguardam
nessa terra aparentemente abandonada?

As cercas de pedra são bonitas e resistentes. Elas, dispensam o uso de madeira e impedem o carreamento do solo, ajudando assim na sua preservação. É visível nelas o mal estado de conservação e há vários pontos onde desabaram, deixando assim enormes buracos. 

Provavelmente, em alguns anos, essas cercas deixarão de existir.
Darão lugar à construções mais modernas, com cerca invisíveis.

A alusão às cercas, é meramente do ponto de vista contemplativo, artístico e estético.
No momento não me detenho em outro tipo de análise.
Mas o sumiço delas, pelo menos do meu campo de visão não demorou.

O Ônibus tomou outra direção e enveredou pelas curvas da estrada que leva a Jardim do Seridó e rapidamente tudo foi ficando para trás.

Agora já estava escuro e começou a cair uma chuvinha fina, que aos poucos foi aumentando de intensidade. Eu
 havia sentido a falta dos trovões. 
E eles ecoam, ainda que abafados pelo barulho do motor.

De vez em quando eu podia ver as bonitas serras, a cada relâmpago que iluminava o céu.


Fotos: Internet

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domingo, 21 de janeiro de 2018

Geometria


Aghata sempre fora um animal inquieto desde o seu nascimento. 
Exceto pelos meses que passara na barriga de sua mãe, ela diria que todos os lugares por onde viveu e morou lhe pareceram incômodos e desconfortáveis.


Fora sempre uma estrangeira aonde quer que fosse. De nada adiantava a água, a comida, uma paisagem bonita, um cantinho fresco para repousar o corpo.
Assim, quando saia dos seus confinamentos, Aghata corria em círculos, desesperada, procurando uma forma de voltar para o que ela considerava sua casa, que na verdade, não atinava onde pudesse ser.

Foram incontáveis as ocasiões de fugas e de falsa liberdade durante toda sua juventude e idade adulta.
Os seus donos, preocupados, começaram a segui-la para tangê-la,- se não de volta pra casa, já que ela não sabia onde ficava -, mas para mantê-la quieta e não lhes trazer aborrecimentos.
A princípio ela resistia e escapava dos perseguidores em louca disparada, dando voltas e voltas, sem contudo,  ir a lugar algum.

Aos poucos foi ficando velha e resignada.

Ainda se movimenta lentamente no interior do círculo, onde em várias extremidades, se posicionam seus caçadores, cada um num local estratégico, a vigiá-la ao longe, por toda a circunferência.


Aghata agora caminha titubeante, percorre o raio que vai do centro do círculo ao ponto onde se acha um dos seus donos.
Lá é escorraçada e ela faz o caminho inverso. Faz vários percursos, sempre enxotada por um empurrão, uma pedrada, uma palavra àspera  e ela retorna ao ponto zero.


Tantos diâmetros percorridos. Mas Aghata sabe que não há saída.
Deita-se, aconchega-se consigo mesma.
Tenta não sentir dor. Não sentir dor já lhe dá um pouco de paz.

Pensa numa estrela distante e se acalma.
Assim deverá viver até tornar-se apenas um punhado de pó a pairar no espaço.


Aghata não não sente mais desejo de voltar pra casa. E isso não tem mais importância.


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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Óbolo para Caronte



 Imagem. Fonte: Portal dos Mitos

Morri numa quinta-feira de agosto.
Para ser mais exata, às 11:00 horas do dia 24, tal como registrado no documento de óbito.
Consta das crenças populares que esse é o dia que o cão anda solto. Não saberia esclarecer entretanto a que espécie de cão se referem, o que também não faz a menor diferença.
A princípio me abstenho de esmiuçar os detalhes do fatídico ocorrido visto que o que está em causa no ensejo não são as picuinhas dos ávidos perscrutadores da vida alheia – ou da morte alheia-, que não descansam até conseguirem encontrar uma explicação plausível, elucidativa – e justa – para a tragédia e, por fim, darem-se por satisfeitos.

Sabemos contudo que os abutres são mais ferozes quando o morto resolve dar cabo da própria vida (o que felizmente não é o meu caso) e cada um veste sua sinistra capa, empunha boné e lupa e se empenha na tarefa investigatória, não descansando antes da absoluta convicção do motivo que levou o pobre diabo a uma atitude tão drástica e avassaladora que deixa como legado um sofrimento eterno para a família. E por isso as elucubrações que não têm mais fim: "o que teria ocorrido? Sofreria o defunto de alguma doença grave escondida a sete chaves? Estava a dever grandes somas ao banco? Haveria por fim descoberto que viver é esquisito e desistido de buscar um sentido à existência? Teria enlouquecido de vez? Deixou alguma carta dando explicações?".

Quero antes de tudo, ressaltar que não sou uma ingrata, uma mal agradecida que não leva em conta a dor dos familiares e amigos, a gentileza, o amor e os gastos dispendidos com a despedida do mundo terreno. A minha indignação reside no fato de teimarem em me proporcionar um velório “digno de tão querida pessoa” (sic), transgredindo todas as minhas ordens expressas, ditas, escritas, propaladas e reiteradas aos cinco ventos aos membros da família, a amigos e inimigos, próximos e distantes.

Pelos Deuses! Quantas vezes deixei claro que abominava e dispensava aquela cerimônia lúgubre que imprime ao dia uma cara de noite, um céu cinzento de garoa fina. E aquele ar pesado, impregnando as ventas do mundo e a boca da noite com um cheiro de dor e desengano, lágrimas e ausência.

Carpideiras de plantão entoam um triste alarido misturado com o burburinho das vozes das rezadeiras e o choro pungente dos parentes inconsoláveis. As luzes bruxuleantes pendem das paredes e teto, velas de chamas amarelas e chorosas piscam pesadamente e pingam estalactites quentes ao lado do lustroso ataúde que lembra um enorme e – caro – pão doce. A fila das pessoas se acotovelando para apreciar mais de perto a cara do desencarnado, a desgraça dos parentes e a certificar-se se a dor expressa pela família condiz com tão suposta grande perda.

O cheiro de morte, de incenso, do chá, do café e biscoitos servidos aos visitantes. O odor das flores. Ah! As flores… Eu disse que não queria flores. Mas eles teimam em retirá-las de onde nunca deveriam ter saído para pateticamente recobrirem um corpo morto que elas não podem e nunca puderam perfumar. E há mais flores. Há grinaldas e mais grinaldas ornadas de fitas com dizeres pesarosos dispostas em círculos pelo salão. Pobres flores. Morrerão precocemente. Sem merecer.

Debalde minhas escaramuças – defunto não tem querer – segue noite adentro a cerimônia. A família, sofrida, aos farrapos, se reveza no doloroso espetáculo. Os visitantes escasseiam à certa altura. No silêncio, um galo canta ao longe. Ainda há galos anunciando o sol e que a vida continua para os que ficam. A madrugada avança lenta, prolongando o sofrimento dos que esperam o grand finale, a hora do merecido descanso — dos vivos, em dolorida paz, em suas casas, ciosos do dever cumprido - e do aconchego que resta ao morto ao colo da terra.

Mal clareia o dia, novo ajuntamento de gente. Terços. Ladainhas e choros, ora convulsivos, ora serenos e resignados. Hora da partida. Segue o cortejo, de carros, de gentes conhecidas e desconhecidas, de curiosos, que se dirigem à minha morada final. Uma breve visita à igreja para as bênçãos do padre, com mais rezas, abraços de conforto aos familiares, recomendações aos deuses, pedidos de misericórdia ao pai eterno, água benta, crucifixo, o cheiro de incenso, o cheiro da morte dormida.
Por fim, uma gaveta me acomoda. Uma, duas ou três pás de cal. Os funcionários da morte caçoam. Morreu de uma cocada… coitada. Não, não fora uma cocada que fizera mal, esclarece. Fora um coco que lhe caíra na cabeça. De grande altura. Não resistiu, a infeliz. Morte estúpida. Gargalham convulsivamente e se vão deixando na cripta abafada um bafo azedo de aguardente. Depois, só o escuro, o silêncio. Só eu e elas, as flores inocentes. O sono no escuro silencioso com cheiro de terra.

Pobres dos mortos que não têm vontades.

Pobres dos vivos. Não levo o óbolo para Caronte.


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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Cinzel

(Imagem: site do artesão)


No lugar ermo da Caatinga que lembra o fim do mundo, o barro é arrancado a golpes de picareta pela mestre Bissinha.

Sob o olhar atento da discípula, aos poucos as preciosas entranhas da terra vão se avolumando em dois recipientes.
O maior, uma lata de querosene 'Jacaré'.
O outro, uma embalagem de manteiga do programa americano 'Aliança para o Progresso'. A estampa retrata o aperto de mão imperialista recebido de bom grado pelo miserável do terceiro mundo.

No caminho de volta, o sol cozinha a pele e as bordas das latas lanham as mãos.
As rodilhas de molambo tentam  inutilmente cumprir a tarefa de minimizar a pressão da carga sobre as cabeças.

O quão insignificante é a fadiga diante da iminente recriação do mundo a partir do barro.

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